segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Amuleto

Marcas

Cordões e amuletos
Jogos de azar

Minhas ondas velejo
Na calma do mar

Vou trazer de volta a praia
Vou atrás, vou buscar

E dizer aos ventos do norte
Que nem moinhos existem mais

Se os céus governam
Nós corremos atrás

Estas mãos que elevamos
Também podem construir o cais

Que nos trará felicidade,
alegria, paz e tudo mais

A Paz e tudo mais
tudo mais e a Paz

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Stairway to Heaven

Ele está de saco cheio.

Saco cheio da cidade, da fumaça, do calor, dos ônibus lotados, da rotina, da escola, do dinheiro, das desgraças, injustiças, esmolas, escândalos e de todo o tipo de sacanagem.

Ele tenta ver entre toda essa gente o que restou da vida. Não da existência, mas da vida. Colegas, amigos que não enxergam-no, e que ele também não enxerga. Muita gente querendo amar com pedras nas mãos.

Caco de vidro...

Algemas e correntes pesam...e ele também é hipócrita.

Mas é assim mesmo, como todo mundo é assim mesmo. Sonhos são assim mesmo, pesadelos são assim mesmo, a vida é assim mesmo, o amor é assim mesmo, o tempo é assim mesmo. E Dizem que com o tempo ele cresce, e não tem jeito, vai ficando assim mesmo, por ali mesmo, na mesma casa, na mesma rua, trabalhando do mesmo jeito. Arriando o mesmo pano da jangada, com o nome dele, que seu mesmo amor pintou.

E vai agindo assim. Escolhendo pela manhã qual máscara usará no resto do dia. Talhando em cada uma o nome de cada pessoa, para que não haja erros.

Mas vira e mexe ainda olha para o céu. Lá onde essa imensa mistura de concreto asfalto gente podridão disfarce fantasia fútil ainda não chegou. Lá do alto ele poderia ver tudo e todos como realmente são. O mundo bem grande. Bem grande como nunca viu.

Quem sabe ele precise mesmo é de uma escada...


A Stairway to Heaven...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Tribunal de Rua

Dessa vez foi demais. Não poderia deixar de externar aqui o acontecido nesta semana em Cuiabá.
Acordei cedo para ir ao colégio, e como de costume, tomei um busão lotadíssimo até o centro da cidade. Quando estava para chegar no ponto em que desço, eu e o resto dos passageiros tivemos uma surpresa: Um congestionamento de coletivos imenso! Era o que parecia até então. Mas acabei por descobrir que não se tratava de um simples congestionamento, a coisa era muito maior.
Os ônibus estavam estacionados nas principais avenidas e ruas do centro, de forma que trancavam completamente o tráfego do local. Logo ocorre na cabeça da maioria das pessoas aquele pensamento comum e babaca: "puta merda, de novo esses baderneiros fazendo manifestações inúteis! Vou acabar chegando atrasado!". Só que quando cheguei na praça onde estavam concentrados os manifestantes percebi que pensamentos como este não condiziam com o que ocorria ali.

Aquela revolta era repentina e silenciosa. O motivo fiquei sabendo alguns minutos depois, ao chegar, finalmente, no colégio.
Os motoristas e cobradores dos coletivos de Cuiabá, e Várzea Grande (cidade vizinha) estavam paralisados em protesto a agressão física sofrida por um de seus colegas no dia anterior. O agressor? Um Policial.

Isso mesmo, um Policial, que é pago com a nossa grana arrecadada em impostos exorbitantes, e supostamente destinada à "segurança" da população. Este cara que deveria nos defender, parou o carro da linha 608 em uma blitz, e o condutor lhe disse que pararia o veiculo mais à frente devido aos cones que lhe impediam a passagem. O PM questionou: "O senhor está embriagado?", e ele disse: "É claro que não, pois estou em serviço!". E no desfecho do caso, o motorista acabou sendo algemado e espancado pelos oficiais, e por eles mesmos levado ao Pronto Socorro Municipal.

Então é este é o trabalho da Polícia Militar? Usar violência e autoritarismo para repreender gente que está trabalhando de verdade, levando e trazendo do "trabalho" todos os dias, os próprios PMs, de graça!? Ferir um cidadão, para mostrar todo o seu falso poder, e assim mascarar e blindar suas fraquezas pessoais!?
Esta é a nossa Justiça Cega? Cega só se for para engravatados! (que o diga nosso querido Renan!)
Porque o preto, o pobre e o trabalhador, que movem este país, ela sempre fez questão de enxergar, e julgar no seu Tribunal de Rua. E vai continuar julgando enquanto estivermos anestesiados, nessa paralisia burra e destruidora em que nos encontramos.

O Brasil já não sente dor...

O Brasil espera.


"O cano do fuzil refletiu o lado ruim do Brasil
Nos olhos de quem quer

Era só mais uma dura
Resquício de ditadura
Mostrando a mentalidade
de quem se sente autoridade
nesse Tribunal de Rua"
(Tribunal de Rua - O Rappa)